domingo, 22 de marzo de 2026


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Ni con los misiles de Washington, ni con los fusiles de Teherán: La guerra es la misma muerte para el pueblo

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Las guerras son la salud del Estado. Esta máxima, acuñada hace más de un siglo por el sociólogo Randolph Bourne, sigue más vigente que nunca. En febrero de 2026, Estados Unidos e Israel desencadenaron otro ataque militar contra Irán. Mientras los misiles teledirigidos cruzan las fronteras y las bombas inteligentes caen con precisión quirúrgica sobre objetivos “estratégicos”, lo que vemos es el engranaje más fundamental del poder estatal siendo lubricado con sangre.

La máquina de guerra no es un desvío en la trayectoria de los Estados; es su motor principal. Para Estados Unidos, el complejo industrial-militar es una tajada crucial de la economía: contratos multimillonarios con Lockheed Martin, Raytheon, General Dynamics. Las acciones suben, los accionistas lucran, los generales ascienden y los políticos reciben financiación de campaña. La guerra en Irán no es un accidente, es un negocio. Es la garantía de que el Pentágono seguirá consumiendo más recursos que cualquier programa social. Mientras tanto, jóvenes estadounidenses son enviados a morir o matar en nombre de la “seguridad nacional”, cuando en realidad están sirviendo a las ganancias de una élite que nunca verá un campo de batalla.

Pero no nos engañemos: el Estado iraní, objetivo de los bombardeos, es tan vil como sus agresores. El mismo régimen que ahora ve su territorio violado por potencias extranjeras es el mismo que, en enero de 2026, asesinó a sangre fría al menos a 250 mujeres en las protestas internas. Es el mismo que, en 2025, ejecutó a 55 mujeres, arrestó arbitrariamente a otras 182 y condenó a 80 activistas a penas de prisión, azotes y muerte. Es el régimen que registró, al menos, 207 feminicidios en el mismo período, muchos de ellos disfrazados de “crímenes de honor”. Las mujeres kurdas, en particular, sufren una doble opresión: 24 de ellas murieron en las manifestaciones de enero, y otras 30 fueron víctimas de feminicidio solo en las provincias kurdas en 2025.

El ataque de EE.UU. e Israel no es una misión de liberación. No se dejen engañar por el discurso humanitario que intenta justificar la intervención. Los mismos Estados que bombardean Teherán son los que arman y financian dictaduras en la región, los que cierran los ojos ante las masacres cuando les conviene. La “preocupación” por las mujeres iraníes es una cortina de humo para ocultar intereses geopolíticos: petróleo, gas, corredores estratégicos, hegemonía regional. Mientras tanto, las verdaderas víctimas —las mujeres, los kurdos, los bahá’ís, los activistas— siguen siendo aplastadas entre el martillo del Estado teocrático iraní y el yunque del imperialismo occidental.

La guerra fortalece a los Estados de ambos lados. En Teherán, el ataque extranjero sirve para unificar a la población en torno al régimen, silenciar las voces disidentes y justificar una represión aún más brutal. En Washington, la guerra desvía la atención de los problemas internos, infla el presupuesto militar y refuerza el control social bajo el manto del patriotismo. Los Estados se alimentan mutuamente, como depredadores que compiten por la misma presa: la población.

Nosotros, los anarquistas, no tenemos patria, ni ejército, ni bandera. No animamos a un Estado contra otro. Nos oponemos a todos los Estados, a todas las fronteras, a todos los ejércitos. Denunciamos la hipocresía de los que hablan de derechos humanos mientras venden armas. Denunciamos la tiranía de los ayatolás y la tiranía de los generales del Pentágono. Ambas se sostienen por la violencia, la jerarquía y la explotación.

La verdadera solidaridad no está en elegir bando en la guerra entre Estados, como alegremente hace la Izquierda, sino en apoyar las luchas autónomas de la gente común contra toda forma de dominación. Las mujeres de Irán que enfrentaron los fusiles de la Guardia Revolucionaria en enero merecen nuestro apoyo incondicional — no los misiles que ahora caen sobre sus cabezas en nombre de una “liberación” que nunca llegará.

¡Fuera la guerra de los Estados! ¡Abajo el patriarcado y el capitalismo que la alimentan! Que las armas callen y que las calles vuelvan a ser de la gente, no de los ejércitos.

Sin dioses, sin amos, sin patrias, sin fronteras. Por la autonomía y por la vida.



Nem com os Mísseis de Washington, Nem com os Fuzis de Teerã: A Guerra é a Mesma Morte para o Povo

As guerras são a saúde do Estado. Esta máxima, cunhada há mais de um século pelo sociólogo Randolph Bourne, permanece mais atual do que nunca. Em fevereiro de 2026, os Estados Unidos e Israel desencadearam mais um ataque militar contra o Irã. Enquanto os mísseis teleguiados cruzam as fronteiras e as bombas inteligentes são lançadas com precisão cirúrgica sobre alvos “estratégicos”, o que vemos é a engrenagem mais fundamental do poder estatal sendo lubrificada com sangue.

A máquina de guerra não é um desvio na trajetória dos Estados; ela é o seu motor principal. Para os Estados Unidos, o complexo industrial-militar é uma fatia crucial da economia: contratos bilionários com a Lockheed Martin, a Raytheon, a General Dynamics. As ações sobem, os acionistas lucram, os generais ganham promoções e os políticos recebem financiamentos de campanha. A guerra no Irã não é um acidente de percurso, é um negócio. É a garantia de que o Pentágono continuará a consumir mais recursos do que qualquer programa social. Enquanto isso, jovens americanos são enviados para morrer ou matar em nome da “segurança nacional”, quando na verdade estão servindo aos lucros de uma elite que nunca verá um campo de batalha.

Mas não nos enganemos: o Estado iraniano, alvo dos bombardeios, é tão vil quanto seus agressores. O mesmo regime que agora vê seu território ser violado por potências estrangeiras é o mesmo que, em janeiro de 2026, assassinou a sangue frio pelo menos 250 mulheres nos protestos internos. É o mesmo que, em 2025, executou 55 mulheres, prendeu arbitrariamente outras 182 e condenou 80 ativistas a penas de prisão, açoites e morte. É o regime que registrou, no mínimo, 207 feminicídios no mesmo período, muitos deles disfarçados de “crimes de honra”. As mulheres curdas, em particular, sofrem uma dupla opressão: 24 delas foram mortas nas manifestações de janeiro, e outras 30 foram vítimas de feminicídio apenas nas províncias curdas em 2025.

O ataque dos EUA e de Israel não é uma missão de libertação. Não se enganem com o discurso humanitário que tenta justificar a intervenção. Os mesmos Estados que bombardeiam Teerã são os que armam e financiam ditaduras na região, os que fecham os olhos para os massacres quando convém. A “preocupação” com as mulheres iranianas é uma cortina de fumaça para esconder interesses geopolíticos: petróleo, gás, corredores estratégicos, hegemonia regional. Enquanto isso, as verdadeiras vítimas — as mulheres, os curdos, os bahá’ís, os ativistas — continuam sendo esmagadas entre o martelo do Estado teocrático iraniano e a bigorna do imperialismo ocidental.

A guerra fortalece os Estados de ambos os lados. Em Teerã, o ataque estrangeiro serve para unificar a população em torno do regime, silenciar as vozes dissidentes e justificar uma repressão ainda mais brutal. Em Washington, a guerra desvia a atenção dos problemas internos, infla o orçamento militar e reforça o controle social sob o manto do patriotismo. Os Estados se alimentam mutuamente, como predadores que competem pela mesma presa: a população.

Nós, anarquistas, não temos pátria, nem exército, nem bandeira. Não torcemos por um Estado contra o outro. Nos opomos a todos os Estados, a todas as fronteiras, a todos os exércitos. Denunciamos a hipocrisia dos que falam em direitos humanos enquanto vendem armas. Denunciamos a tirania dos aiatolás e a tirania dos generais do Pentágono. Ambas se sustentam pela violência, pela hierarquia e pela exploração.

A verdadeira solidariedade não está em escolher lados na guerra entre Estados, como alegremente a Esquerda faz, mas em apoiar as lutas autônomas das pessoas comuns contra toda forma de dominação. As mulheres do Irã que enfrentaram os fuzis da Guarda Revolucionária em janeiro merecem nosso apoio incondicional — não os mísseis que agora caem sobre suas cabeças em nome de uma “libertação” que nunca chegará.

Fora com a guerra dos Estados! Abaixo o patriarcado e o capitalismo que a alimentam! Que as armas se calem e que as ruas voltem a ser das pessoas, não dos exércitos.

Sem deuses, sem senhores, sem pátrias, sem fronteiras. Pela autonomia e pela vida.



English:

Not with Washington’s Missiles, Nor with Tehran’s Rifles: War is the Same Death for the People

Wars are the health of the State. This maxim, coined over a century ago by sociologist Randolph Bourne, remains more relevant than ever. In February 2026, the United States and Israel unleashed yet another military attack against Iran. While guided missiles cross borders and smart bombs are dropped with surgical precision on “strategic” targets, what we witness is the most fundamental gear of state power being lubricated with blood.

The war machine is not a deviation in the trajectory of States; it is their main engine. For the United States, the military-industrial complex is a crucial slice of the economy: billion-dollar contracts with Lockheed Martin, Raytheon, General Dynamics. Stocks rise, shareholders profit, generals get promotions, and politicians receive campaign funding. The war in Iran is not an accident; it is business. It is the guarantee that the Pentagon will continue to consume more resources than any social program. Meanwhile, young Americans are sent to die or kill in the name of “national security,” when in reality they are serving the profits of an elite that will never see a battlefield.

But let us not deceive ourselves: the Iranian state, target of the bombings, is as vile as its aggressors. The same regime that now sees its territory violated by foreign powers is the same one that, in January 2026, cold-bloodedly murdered at least 250 women in internal protests. It is the same one that, in 2025, executed 55 women, arbitrarily arrested another 182, and sentenced 80 activists to prison terms, floggings, and death. It is the regime that recorded at least 207 femicides in the same period, many disguised as “honor crimes.” Kurdish women, in particular, suffer a double oppression: 24 of them were killed in the January demonstrations, and another 30 were victims of femicide in the Kurdish provinces alone in 2025.

The attack by the US and Israel is not a liberation mission. Do not be fooled by the humanitarian rhetoric trying to justify the intervention. The same States that bomb Tehran are the ones that arm and finance dictatorships in the region, the ones that turn a blind eye to massacres when convenient. The “concern” for Iranian women is a smokescreen to hide geopolitical interests: oil, gas, strategic corridors, regional hegemony. Meanwhile, the real victims — women, Kurds, Bahá’ís, activists — continue to be crushed between the hammer of the Iranian theocratic state and the anvil of Western imperialism.

War strengthens States on both sides. In Tehran, the foreign attack serves to unify the population around the regime, silence dissident voices, and justify even more brutal repression. In Washington, war diverts attention from internal problems, inflates the military budget, and reinforces social control under the cloak of patriotism. States feed on each other, like predators competing for the same prey: the population.

We, anarchists, have no homeland, no army, no flag. We do not cheer for one State against another. We oppose all States, all borders, all armies. We denounce the hypocrisy of those who speak of human rights while selling weapons. We denounce the tyranny of the ayatollahs and the tyranny of the Pentagon generals. Both are sustained by violence, hierarchy, and exploitation.

True solidarity does not lie in choosing sides in the war between States, as the Left happily does, but in supporting the autonomous struggles of ordinary people against all forms of domination. The women of Iran who faced the rifles of the Revolutionary Guard in January deserve our unconditional support — not the missiles now falling on their heads in the name of a “liberation” that will never come.

Away with the war of States! Down with the patriarchy and capitalism that feed it! May the guns fall silent and may the streets once again belong to the people, not the armies.

No gods, no masters, no homelands, no borders. For autonomy and for life.

 

Liberto Herrera

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